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VANESSA ABBUD ATELIER

Observação Nº 01

Foi ali que meu olhar começou a virar trabalho.

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MEU PRIMEIRO GRANDE APRENDIZADO NA PRÁTICA

Entrei muito nova no Vanessa Abbud Atelier, em um momento em que ainda estava começando a entender o que significava trabalhar de fato.

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Eu já carregava vivências, referências e uma familiaridade natural com moda, estética e com o universo do luxo. Mas uma coisa é observar, consumir, ter opinião e sensibilidade. Outra é estar dentro de uma marca todos os dias e precisar transformar esse olhar em decisão, entrega e responsabilidade.

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O atelier foi onde comecei a aprender essa diferença.

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Entrei inicialmente pela comunicação digital, ainda na função de social media. Mas isso durou pouco.

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Em menos de dois meses, apresentei para a Vanessa propostas bem ambiciosas para alguém que tinha acabado de chegar e com isso ela decidiu que eu virasse “o marketing”.

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E, quase de uma vez, meu trabalho deixou de ser apenas cuidar das redes sociais e passou a envolver uma responsabilidade muito maior. Assumi essa frente internamente e comecei a organizar meus próprios cronogramas, prioridades e projetos, conectando comunicação, clientes, relacionamento, parcerias, conteúdo e novas possibilidades para a marca.

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01.

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02.

Foi tudo muito rápido.

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E acho que isso só aconteceu porque existia uma combinação importante entre nós duas: eu tinha muita vontade de propor e a Vanessa me dava liberdade para tentar.

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Se uma ideia parecia boa, dificilmente parávamos no “será?”. Começávamos a pensar em quem procurar, como viabilizar e o que precisava acontecer para tirá-la do papel.

Com o tempo, passei a tratar aquela construção com um nível de responsabilidade muito pessoal. Queria melhorar o que já existia, encontrar possibilidades novas e fazer os projetos acontecerem como se o sucesso deles também fosse meu.

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Isso me fez crescer muito.

E também me fez errar.

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Eu sempre tive bastante ansiedade de fazer acontecer, vontade de resolver rápido e uma tendência a querer colocar muitas ideias em movimento ao mesmo tempo. Ter tanta autonomia tão cedo me obrigou a aprender também sobre prioridade, timing, limites, processo e sobre o fato de que uma boa ideia não precisa necessariamente acontecer agora para continuar sendo uma boa ideia.

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Talvez esse tenha sido um dos aprendizados mais importantes daqueles três anos.

Aos poucos, fui percebendo também outra coisa: existia em mim uma vontade muito grande de construir a partir de uma visão própria.

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O atelier tinha naturalmente seus caminhos, suas escolhas e o projeto da própria Vanessa. E, conforme eu amadurecia profissionalmente, comecei a entender que nem tudo que eu imaginava precisava caber ali - justamente porque aquela marca não era minha.

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Foi um processo importante para perceber que, em algum momento, eu queria assumir também essa responsabilidade: criar um trabalho em que o critério, os caminhos e as escolhas partissem de uma visão que eu pudesse sustentar integralmente.

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Anos depois, isso ajudaria a dar forma à Su Misura.

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Não por acaso, um nome inspirado no universo do sob medida - um dos primeiros lugares em que aprendi que aquilo que realmente tem valor dificilmente nasce de uma fórmula pronta.

DE DENTRO PARA FORA

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Estar dentro de um atelier me ensinou algo que nenhuma imagem final consegue mostrar sozinha. Um vestido pode ser extraordinário, mas uma marca de luxo é formada por tudo o que acontece antes, durante e depois dele.

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A maneira de receber uma cliente. Uma prova. O cuidado com um fornecedor. Uma viagem de pesquisa. A escolha de uma parceria. Um evento. O pós-venda. O que se publica e também aquilo que não precisa ser publicado.

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Durante boa parte desse período, fui a pessoa interna conectando muitas dessas frentes. Em determinados momentos, trabalhei também ao lado de agência para a marca pessoal Vanessa Abbud e outros parceiros externos; em outros, conduzi internamente projetos que passavam por comunicação, relacionamento, conteúdo, parcerias e novas iniciativas para Atelier.

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Como não existia uma estrutura de marketing pronta na qual eu pudesse simplesmente me encaixar, precisei construir também meus próprios processos.

Aprendi a fazer cronograma, definir prioridades, tocar projetos simultaneamente, negociar, lidar com clientes e responder pelas ideias que eu colocava na mesa.


Hoje vejo o quanto essa autonomia se tornou parte da base da maneira como trabalho.

EXPERIÊNCIAS VA

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Uma das construções que melhor representa esse período foi o Experiências VA. A ideia era desenvolver uma frente própria de encontros capaz de ampliar o universo da marca, fortalecer relacionamento e aproximar clientes.

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Desenvolvi conceito, narrativa, calendário, formatos, parceiros, convidados, relacionamento e organização das ações, além de acompanhar a comunicação e os desdobramentos de cada encontro.

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Ao longo das edições, construímos projetos e aproximações com nomes como Cartier, Sisley Paris, SP-Arte, Grifith Joalheiros, Cerâmica & Cia, Atelier Natalia Rios e Vinheria Percussi, entre outros.

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Mais do que uma sequência de eventos, o Experiências VA foi também onde comecei a entender uma ideia que continuo levando para o meu trabalho: relacionamento também é posicionamento.

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Uma cliente que se sente parte de um universo não precisa se relacionar com uma marca apenas quando tem alguma coisa para comprar.

VA

CARTIER

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EXPERIÊNCIAS

VA

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VA: ENTRE COSTURAS E CULTURAS

Outra frente nasceu quase organicamente a partir dos bastidores que eu já produzia dentro do atelier.

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Começamos mostrando etapas reais do sob medida em São Paulo - materiais, provas, fornecedores, pesquisa, processos e detalhes que normalmente ficavam fora da imagem final.

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Aos poucos, percebi que aquele conteúdo poderia fazer mais do que registrar.

Poderia trazer repertório.

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Foi assim que desenvolvi o Entre Costuras e Culturas, transformando viagens, pesquisa de moda, tradição e referências culturais em uma extensão do universo do atelier.

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O projeto passou por São Paulo, Sevilha e Paris, conectando temas como trabalho manual, vestimenta, tradição, Haute Couture e savoir-faire ao que acontecia dentro do Vanessa Abbud.

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Cada viagem envolvia um pensamento anterior sobre pauta, roteiro, referências, possíveis parceiros locais e sobre como aquela experiência poderia voltar para a marca com significado e não simplesmente como conteúdo de viagem.

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Era uma forma de mostrar que o repertório de um atelier também se constrói fora dele.

PROSPECÇÃO / CONTATOS PARIS

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KAREN GRIGORIAN                          LA MAISON DU PLI

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RAFAEL LUPO MEDINA

 DIVINA PARIS

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PARIS E HAUTE COUTURE

Paris foi um dos momentos mais simbólicos dessa construção.

Durante a Haute Couture Week, trabalhei na prospecção e negociação de acessos e convites que aproximassem ainda mais o atelier daquele universo que já fazia parte das suas referências.

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Entre esses movimentos, consegui a aproximação com a Elie Saab para Vanessa e, a partir dessa relação, acabei sendo convidada também assistir ao desfile.

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Mais do que simplesmente estar presente na semana de alta costura, o interesse estava em observar de perto aquilo que estudávamos e comunicávamos diariamente: técnica, construção de imagem, atendimento, tradição e a maneira como grandes maisons transformam produto em universo.

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Foi um daqueles momentos em que pesquisa, relacionamento e experiência se encontraram na prática.

CONVITE

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PROSPECÇÃO

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ELIE SAAB JR

PARIS

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HAUTE

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WEEK

COUTURE

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VA +LE LIS

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SHOOTING ROSEWOOD

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COLLABS E PROJETOS ESPECIAIS

Ao longo dos três anos, também participei da construção de diferentes collabs e projetos especiais.

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Estive envolvida em frentes com marcas como Grifith, Cerâmica & Cia, Le Lis e Paula Torres, entre outras, em projetos que podiam atravessar estratégia, direção criativa, conteúdo, relacionamento com clientes e influenciadoras ou a construção da própria colaboração.

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Alguns tinham uma lógica mais comercial. Outros surgiam de uma ocasião, de uma afinidade estética ou da possibilidade de aproximar dois universos.

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Ali também comecei a formar um critério que depois se tornaria importante no meu trabalho: não fazer uma parceria apenas porque duas marcas podem aparecer juntas.

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Se havia encontro, precisava existir uma razão para ele.

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RODA DE SAIA

Esse período também abriu espaço para experimentar formatos que um atelier de sob medida tradicionalmente não ocupava.

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Um deles foi o Roda de Saia, podcast que criei do zero para o Vanessa Abbud Atelier.

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O nome unia duas imagens muito próprias daquele universo: a roda dos vestidos e a roda de conversa.

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Desenvolvi conceito, nome, formato, linha editorial, planejamento, convidados, relacionamento, identidade junto à designer e a estrutura necessária para as gravações e seus desdobramentos digitais.

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Era uma maneira de levar para o conteúdo algo que já acontecia naturalmente no presencial: mulheres, histórias, repertório, lifestyle e conversas que iam muito além da roupa.

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Assim como o Experiências VA e o Entre Costuras e Culturas, o projeto partia de uma pergunta que atravessou muitos dos meus trabalhos ali: como fazer um atelier existir para além do momento da prova ou da compra sem perder aquilo que o torna especial?

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Entrei como social media e, muito pouco tempo depois, já estava diante de uma folha praticamente em branco para construir uma área que não existia formalmente.

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Saí tendo criado projetos próprios, negociado parcerias, acompanhado clientes, desenvolvido encontros, trabalhado ao lado de agência e fornecedores, pensado comunicação, produzido conteúdo, viajado em pesquisa e entendido de dentro como funciona uma operação de moda sob medida.

PODCAST

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GABRIELA MORAIS

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GABRIELA / ANTES FERRAGAMO AGORA TIFFANY

RODA DE SAIA

Mas talvez o mais importante seja tudo aquilo que não cabe em uma lista de entregas.

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Foi ali que aprendi a trabalhar com autonomia.

A defender uma ideia.

A perceber quando ela ainda precisava amadurecer.

A lidar com a minha própria pressa.

A entender responsabilidade.

A descobrir que relacionamento pode abrir caminhos que um briefing sozinho nunca abriria.

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E a perceber que eu gostava não apenas de executar projetos, mas de pensar o que deveria existir antes de alguém pedir.

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Quando encerrei esse ciclo, já existia em mim a vontade de construir um caminho próprio.

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Foi justamente por ter vivido tanto dentro daquele universo que comecei a entender com mais clareza o tipo de trabalho que queria fazer, o tipo de responsabilidade que queria assumir e a importância de poder construir cada projeto de acordo com aquilo que ele realmente precisava.

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A Su Misura nasceu depois.

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Mas talvez uma parte importante dela tenha começado a ser desenhada muito antes, dentro de um atelier em que aprendi diariamente que sob medida nunca foi apenas sobre roupa.

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Foi também uma forma de pensar.

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CASAMENTO PRIMA EM SEVILHA

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DESFILE NATURAL VA

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